Cooperativas - vamos juntos

Coordenador: José Geraldo A Leite, Engenheiro Agrônomo, especializado em cooperativismo na França e Israel. Ex-diretor da OCEMG – Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais, com 43 anos de vivência com cooperativas e seus problemas

26

de
março

cooperativas

14 semana - 26/03/07

II – Ação da Cooperativa

Suas funções ? Iremos organizar uma cooperativa mista ou simples ? Quais as seções que ela terá ?

A nossa legislação diz que as cooperativas habitacionais não poderão criar outras seções e que somente as cooperativas agrícolas poderão manter e criar seção de crédito.

Mas existem os outros tipos que podem, ser mistas ou não.

1 – Mistas – Vantagens:

Nós deveremos pensar em cooperativas mistas ou polivalentes, nos seguintes casos, quando a comunidade for pequena ou pobre porque:

- será necessária menor quantidade de capital, isto é , terá menores investimentos e aproveitará melhor a mão de obra encontrada, porque os melhores elementos serão usados em várias oportunidades;

- terá maior movimento financeiro, permitindo melhor remuneração de pessoal e com isto poderemos ter um pessoal mais especializado;

- diminui deslocamentos, logo , diminui perde de tempo e gastos;

- permite maior utilização de pessoal e instalações;

- pode oferecer maiores garantias nos negócios a prazo;

- substitui o comerciante polivalente, a cooperativa irá quebrar um ciclo de negócios e com isto provocará reações, logicamente ela deverá estar capacitada para preencher todas as necessidades dos cooperados, pois o comerciante preenche porque ele oferece : crédito, sementes , adubos, etc., e recebe a produção beneficiando-a e revendendo-a;

- facilita a criação de novas atividades;

- haverá somente uma Assembléia Geral, daí haver maior facilidade em se reunir.

Desvantagens:

- é mais fácil administrar uma cooperativas simples;

- mesmo que haja uma contabilidade para cada ramo existe a tendência de fazer a compensação dos prejuízos com as sobras das outras seções;

- falta de identidade de interesses entre os associados, o que pode dificultar muito a realização das reuniões e Assembléias Gerais;

- ainda que pese ao contrário que várias cooperativas podem ter o mesmo Conselho e Administração.

19

de
março

cooperativas

13 semana- 19/03/07

Roteiro para fundação de uma cooperativa:

1º Passo - Levantamento dos problemas através de:

a) Entidades atuantes no município;

b) Conselho de Desenvolvimento;

c) Líderanças;

Usando os seguintes métodos:

2º Passo - Estudo do problema, viabilidade e conveniência da cooperativa. Reunião das entidades retrocitadas em comissão, para análise dos dados coletados, com presença de uma pessoa especializada.

Nesta altura devemos ter em mente :

I – Tamanho da cooperativa.

Cooperativa Grande – Vantagens:

- permite aplicação de técnica mais aprimorada e com isto terá maior produtividade;

- Tem recursos para contratação de pessoal especializado, possibilitando maior ação no ambiente;

- Maior ação sobre o mercado;

Cooperativa Grande – Desvantagens :

- grandes problemas de transportes e custos;

- menor interação social e com isto não haverá uma grande coesão entre os associados e dos associados com a cooperativa, dificuldades de comunicação:

- quando da apresentação das contas, os associados não as compreendem, pois os números e dados fogem da sua capacidade de compreensão, seus padrões de comparação são bem menores;

- relações de pessoal difíceis, tendo em vista o grande número.

Cooperativas Pequenas - Vantagens :

- Problemas mais fáceis de resolver e com isto não há muita necessidade de pessoal muito especializado ou treinado;

- Pouco pessoal;

- Instalações modestas;

- Serviços simples;

- Maior interação social e com isto haverá maior fidelidade por parte dos cooperados;

Cooperativas Pequenas - Desvantagens:

- Capital e equipamentos fracos;

- Pessoal sem qualificação, pouco maleável;

- Maiores custos, baixo rendimento.

12

de
março

cooperativas

12 semana- 12/03/07

CRIAÇÃO DE COOPERATIVAS

Quando pensarmos em organizar uma cooperativa devemos meditar sobre os seguintes pontos:

I – Aspecto Cooperativo – que se manifesta em dois pontos que entram em choque principalmente com o aspecto / empresarial, são eles:

a) – As regras específicas de funcionamento que têm as cooperativas, lei própria, com princípios e obrigações particulares;

a) - Preocupações sociais - auto-ajuda , ajuda mútua,desenvolvimento

constante, satisfação das necessidades comuns dos associados são itens que não podem ser esquecidos.

II - Aspecto Empresarial - que está sujeito à :

a) – Legislação cooperativista, fiscal, trabalhista, social, etc;

b) - Condições de mercados e de comercialização ;

c) - Gestão empresarial eficiente -–produtividade, custos, controle,resultado etc;

d) - Tem problemas específicos da área de atuação e de atividade, não permitindo planejamento rígido, sujeito a várias circunstâncias que ultrapassem a capacidade humana de controle;

e) - A pequena maneabilidade de certas atividades e com isto não consegue acompanhar o ritmo de progresso do meio em geral;

f) - Pessoal sem preparo técnico não conseguindo se adaptar prontamente às situações surgidas, necessidade de treinamento.

1. Ainda aparecem as seguintes questões quando vamos organizar uma cooperativa:

a– Por quem deve ser criada? :

- outras cooperativas

- sindicatos ou organizações profissionais;

- líderes;

- políticos;

- funcionários da área – extensão e ensino

- serviços públicos especializados;

b - Deve promover a cooperação de baixo para cima ou vice-versa.

São duas alternativas difíceis para uma escolha acertada, mas podemos dizer o seguinte: deve fomentar a organização de uma cooperativa quem tiver capacidade e meios de organizá-la bem, dar-lhe um bom impulso inicial e uma rota a seguir durante sua duração e ainda mais, proporcionar aos membros desta cooperativa conhecimentos e capacidade para dirigí-la e fazer funcionar plenamente de maneira que depois de algum tempo seus membros se tornem suficientemente motivados para aplicação dos princípios a auto-ajuda de modo a batalharem sempre pelo seu desenvolvimento em comum, neste momento a cooperativa terá alcançado toda a sua plenitude de instrumento para a realização do ser humano.

6

de
março

cooperativas

11 semana - 05/03/07

Continuando os estudos sobre a formação do cooperativismo. Temos:

BOERENBOND

E uma espécie de liga camponesa existente na Bélgica. Foi criado em 1886 pelo abade Mellaerts. Apareceu devido à luta para melhorar as condições dos camponeses belgas que eram as piores possíveis.

Com a fundação do primeiro Boerengilde conseguiu-se que os camponeses aplicassem pela primeira vez adubos, instrumentos para a cultura e a compra em comum, de mantimentos.

O Boerenbond é a federação dos boerengilde, que é a associação local que possui diversas seções, tais como:

1 – secretaria geral – que se ocupa da vida cooperativa e da educação em geral;

2 – escritório de compra e venda;

3 – seção de crédito;

Ele é administrado adotando os seguintes princípios:

a) auto-ajuda;

b) responsabilidade solidária e ilimitada;

c) gratuidade de administração;

d) não distibuição de dividendos.

Para se ter uma idéia do que proporciona aos belgas o Boerenbond, vejamos as palavras do abade, português Abel Varzin, professor de ciências políticas e sociais: " A pobreza desapareceu do campo e apesar das crises, um bem estar material regularmente elevado aí reina. O camponês não é mais ignorante, ele conhece seu serviço, está a par de todos os métodos científicos que interessam à agricultura, sabe falar da política nacional e internacional com conhecimento de causa e está bem informado sobre as questões sociais.

Apresenta-se decentemente, conhece o valor de sua profissão, e sente-se extremamente envaidecido por praticá-la. O nome de camponês injurioso, é hoje pronunciado com respeito. Ele tem agora sua parte de repouso e, tendo as colheitas duplicado, participa de um justo conforto e do bem estar da humanidade. E em consequência disso, o aspecto do campo mudou inteiramente: as casas são limpas, confortavelmente mobiliadas e as aldeias apresentam um aspecto risonho, são claras e atraentes. A classe agrícola tornou-se agora uma classe unida, forte, vaidosa e altiva.

Eis, aqui, senhores, a obra do Boerenbond – obra magnífica de organização, cuja repercussão na nação belga é formidável".

Todos estes realizadores, inclusive os brasileiros históricos atuaram no mesmo século, sofreram as mesmas influências apesar das dificuldades de comunicação e das distâncias. O que impressiona é que a estrutura básica das cooperativas se manteve e se conserva até hoje.

4

de
março

cooperativas

COMENTÁRIO: 04/03/07

Continuando com o assunto Assembléia Geral,hoje abordaramos a AGO ou assembléia de prestação de contas, que é o momento em que os cooperados aprovam ou não os atos da Diretoria. Uma vez aprovados os atos os cooperados repartem as responsabilidades com os diretores.
Daí a importância da sua presença na AGO, pois as decisões dela abrangem a todos ausentes ou discordantes. Vamos comparecer e ajudar nossa COOPERATIVA.

O estatuto diz:
B ) DA ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA

Art. 36 - A Assembléia Geral Ordinária, que se realizará obrigatoriamente uma vez por ano, no decorrer do primeiro trimestre, após o término do ano social, deliberará sobre os seguintes assuntos, que deverão constar da Ordem do Dia :
a) resultado das pré-assembléias (reuniões preparatórias);
b)  prestação de contas dos órgãos de administração, acompanhada do parecer do Conselho Fiscal, compreendendo:
1 -  Relatório de gestão da Diretoria.
2 - Balanço Geral.
3-  Demonstrativo das sobras apuradas, ou das perdas e Parecer do Conselho Fiscal.   
     4 -  Plano de atividade da COOP para o exercício seguinte.

c) destinação das sobras apuradas ou o rateio das  perdas, deduzindo-se , no primeiro vão, as parcelas para os fundos obrigatórios:
d) criação de novos conselho, como o Conselho de Ética, definindo-lhes as funções para melhorar o funcionamento da COOP;
e) eleição e posse dos componentes do Diretoria, do Conselho Fiscal e de outros conselhos, quando for o caso;
f) fixação dos honorários, gratificações e da cédula de presença para os componentes do Diretoria e do Conselho Fiscal;
g) quaisquer assuntos de interesse social, excluídos os enumerados no artigo 41 deste estatuto;

§ 1o.- Os membros dos órgãos de administração e fiscalização não poderão participar da votação das matérias nos itens "b" e "f" deste artigo execetuando-se o item 4 da alínea "b".
§   2o-  A aprovação do relatório, balanço e contas dos órgãos de administração não desonera seus componentes da responsabilidade por erro, dolo, fraude ou simulação, bem como por infração da lei ou deste estatuto.

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