Cooperativas - vamos juntos

Coordenador: José Geraldo A Leite, Engenheiro Agrônomo, especializado em cooperativismo na França e Israel. Ex-diretor da OCEMG – Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais, com 43 anos de vivência com cooperativas e seus problemas

30

de
janeiro

cooperativas

4 semana - 29/01/07

ORIGEM HISTÓRICA - OS PRECURSORES

São geralmente ingleses e franceses que no periodo que vai do século XVII ao começo do século XIX e sofreram influência do progresso industrial e da evolução intelectual dessa época. Geralmente eles procuraram tornar idéias utópicas em realidade. São eles:

Plackboy (1659) sonhava com uma associação econômica onde a propriedade individual seria conservada, mas desapareceria a exploração do homem pelo homem. Essa associação abrangeria a vida de seus membros de maneira integral.

John Bellers (1654 – 1775) idealizou ( College of Industry ) uma forma de colônia cooperativa de trabalho onde a indústria e a agricultura se uniriam. Tanto Bellers como Plackboy pregavam : "self help" , uma empresa comum e a supressão dos intermediários.

Roberto Owen ( 1771 – 1858 ) criou cooperativas integrais, tentando estabelecer nos moldes da economia fechada uma colônia coletiva onde se produziria tudo que seus membros necessitassem. Pregou a integração vertical através de uma associação internacional.

Dr. Willian King - ( 1865 ) pregava a cooperativa como a única forma de tornar realidade o conceito cristão de amor ao próximo como a si mesmo. Ele compreendia a cooperativa de consumo da seguinte maneira: " A soma de dinheiro que as classes operárias despedem bem ou mal é enorme, ela se traduz por um número respeitável de milhões.

Só o lucro resultante dessa soma, seria suficiente para construir e adquirir fábricas. Não é, portanto ¸ nem a falta de forças nem a falta de meios, mas simplesmente a falta de compreensão que impede o trabalhador de progredir e emancipar ".

Charles Fourier ( 1772 – 1837 ) Criou a figura do falanstério. A falange seria organizada com recursos de terceiros, excluindo o governo, obedeceria o princípio da hereditariedade, propriedade, capital e interesse. Prega a partilha dos excedentes entre o trabalho capital e a inteligência e a ligação orgânica entre a indústria e a agricultura.

Idealizou uma espécie de armazém onde o produtor colocaria seus produtos até a ocasião da venda e obteria um financiamento de até 2/3 do valor de sua necessidade ao preço de custo, sem interferência do intermediário.

Buchez (1796 – 1865 ) - Pregava cooperativas de produção onde os operários venceriam pela ajuda mútua. Onde imperasse a livre adesão, remuneração conforme a capacidade de trabalho. Propunha a formação de capital de reserva tirado dos excedentes.

Louis Blanc (1812 – 1882 ) – Pregava cooperativa de produção para emancipação do operário, mas para a completa organização deveria haver cooperativas de consumidores, de agricultores e de crédito de modo que houvesse um completo entrosamento até o fim de toda a luta de interesses.

Para resumir, podemos dizer que: esses pensadores contribuíram para a formação da doutrina cooperativista com as seguintes características:

1 - A idéia de associação – A cooperação prega ajuntamento dos meios econômicos para a satisfação das necessidades comuns, usando o capital como um meio, e não um fim. Com isto, valoriza o homem.

2 - Voluntariedade - fazendo apelo para que o homem se associe ao seu semelhante, e não obrigando-o a isto.

3 - Integração - do movimento tanto de maneira horizontal como vertical.

4 - Eternização - da associação com a criação dos fundos de reserva, temos a tendência de encarar a cooperativa como forma definitiva de resolver o problema.

30

de
janeiro

cooperativas

30/01/07  COMENTÁRIO
 
Posse dos congressistas nos traz grandes esperanças.  Novas idéias, vontade de trabalhar, defesa de ideais, etc.
Se você votou em um deles. Acompanhe seu trabalho, incentive e mesmo cobre. Por que quando você resolveu votar nele, você acreditava nas metas que ele divulgava para ganhar o seu voto.  
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Eles tem de saber que estamos de olho. Nossa cooperativa e o Brasil precisam disto!  

11

de
janeiro

Cooperativas

COOPERATIVAS – VAMOS JUNTOS

Objetivos do blog : está no nome – cooperativas – vamos juntos. A nossa pretensão e ser um local de discussão e troca de idéias, experiências, discussão e divulgação do cooperativismo.

       Atualizações: semanais, sempre as segundas-feiras.

Interação:  por favor, divulgue os fatos de sua cooperativa neste local, vamos partilhar as informações que interessam e venham engrandecer o sistema cooperativista.

   O COOPERATIVISMO

História brasileira:Em 1819, José da Silva Lisboa, Visconde de Cairú, publicou “ Estudo do Bem Comum e Economia Política” , que possui 2 capítulos dedicados ao cooperativismo.Ele entendia por cooperação social “ a companhia entre a natureza e a  Humanidade, entre os indivíduos e os Estados entre si , para reunião de suas faculdades, forças de espírito e corpo em todas as partes da terra, a fim de maior produção de riquezas e possível multiplicação e prosperidade de nossa espécie”.

  A Revista Financeira do Rio de Janeiro, em maio de 1888 publicou o seguinte: “ o Brasil entrando agora em nova fase de existência que lhe, de carece  imedatamente organizar sociedades cooperativas, destinadas à produção e consumo, que venham atenuar as dificuldades em todas as épocas inerentes às grandes reformas sociais ao passo que utilizarão os pequenos capitais esparços que no isolamento atual nenhuma força produtiva determinam.                   
O cooperativismo é um somatório de idéias e experiências de várias pessoas, de diversas nacionalidades que foram somando teorias e práticas e evoluindo até chegarem as cooperativas atuais. O cooperativismo não é estático ele acompanha  evolução das necessidades humanas, sempre como uma ferramenta para solução de problemas e dificuldades.     
                          No dia 27 de outubro de 1889, foi fundada a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto.  No artigo segundo de seu estatuto diz: "esta sociedade tem por fim desenvolver por todos os meios ao seu alcance a fraternal convivência  entre seus associados, tratar dos seus interesses comuns, estabelecer todas as formas de proteção e defesa dos seus membros, promover em  sólidas base a sua prosperidade,  sua riqueza, independência e o seu progresso material e moral." As metas eram fornecer bens de consumo, construir habitações para aluguel e venda aos cooperantes. Mas não chegou a funcionar.
  Depois em 1891 foi criada a cooperativa Associação Cooperativa dos Empregados da Cia. Telefônica, em Limeira.
  João Pinheiro, em 1907, lançou entre os agricultores a idéia de fundação de cooperativas.

2 semana - 15/01/07

CONCEITUAÇÃO DO COOPERATIVISMO

A – SÍMBOLOS

São figuras destinadas a representar o movimento, que às vezes, variam de país, mas sempre procurando transmitir a idéia de união, solidariedade ou fraternidade entre os homens.

A partir de 1932 a Aliança Cooperativa Internacional adotou a bandeira com as cores do arco-íris. Como no disco de Newton, em que as cores resultantes da refração da luz, misturadas, girando o disco, se tornam brancas ou iguais; na cooperativa, os homens, por mais diferentes que sejam, serão sempre iguais.

Em certos países, principalmente nos Estados Unidos e Canadá, é adotado o símbolo de dois pinheiros verdes dentro de um círculo também verde, sobre um fundo amarelo, isto representando o seguinte:

- os pinheiros - a eternidade, a segurança e perseverança,

- o círculo – o mundo;

- o fundo amarelo - a riqueza.

Então, temos a segurança, riqueza eternamente no mundo e, é simplesmente isto que os homens procuram dar a si mesmo, dentro do cooperativismo.

O cartaz com os dois burrinhos comendo os dois montes de feno, não representa o cooperativismo, mas, transmite a idéia de como agem os homens fora e dentro da cooperativa, enfim, transmite a idéia do que seja cooperativismo.

Na natureza e na vida prática existem muitas coisas e situações que dão idéia da cooperação e do que ela proporciona nos homens, por exemplo:

a - o feixo de gravetos – um graveto é fácil quebrar, mas um feixo é impossível;

b -junta de bois - figura muito usada pelo saudoso professor Jair Guaracy – quando cangados pela primeira vez, rebelavam-se e era quase impossível a situação, mas na segunda vez , com o pescoço dolorido, os bois já eram menos rebeldes, ao fim de certo tempo, transportam pesadas cargas, o que para um só é impossível;

c - o mutirão em todas as suas formas.

3 semana - 22/01/07

B - IMAGENS:

Encarando a natureza e a vida humana sobre a terra veremos que o princípio de cooperação está sempre presente em suas manifestações.

O biologista Alfred E. Emerson afirma que a cooperação possui maior influência na evolução da sociedade humana que a luta pela existência. Quase a mesma idéia tem o antropólogo Ashley Montagu, quando afirma, "provável dever mais o homem à atuação do princípio da cooperação, do que a qualquer outro na sua evolução biológica e social e que sem o funcionamento do princípio da cooperação, da sociabilidade e do auxílio mútuo, o progresso da vida orgânica, o melhoramento do organismo e o fortalecimento da espécie se tornaria inteiramente incompreensíveis" .

Nós podemos notar na natureza cinco níveis de sociabilidade. São dois de características sub-humanas e três de humanas, em sua forma de ação.

a) nível reflexo de cooperação – o exemplo mais potente, temos na atuação das amebas, quando cada uma absorve uma fração do veneno contido em um meio ambiente, para torná-lo habitável, vemos aí o início do que chamamos grupo social na sua forma mais elementar possível;

b) nível instintivo de cooperação – como exemplo temos a ação dos insetos sociais como abelhas, formigas, etc. São seres que isoladamente não sobreviveriam, mas com combinação de esforços chegam a resultados assombrosos, daí aparecendo uma forma orgânica do grupo social;

c) nível de sobrevivência de cooperação – neste caso o indivíduo coopera com seus pares como meio de sobrevivência e segurança, mas para que o grupo possa proporcionar isto, é necessário que haja um comportamento leal dos seus membros. Como exemplo desse nível temos as relações mãe e a progênie, a família e a horda, etc…

d) nível progressivo de cooperação – é a cooperação que tem por fim fazer com que determinados indivíduos ou grupos ultrapassem o outro no ato de atingir certos objetivos. Neste tipo, o pensamento e o modo de agir do líder representam as normas do grupo. Porém, este poderá ter, em determinados casos a tendência de se revoltar contra esta liderança, deixando de cooperar com ele. Neste caso temos : o mutirão e outras formas de adjutório.

e) nível altruístico de cooperação – é a forma mais avançada de cooperação. É quando as pessoas usando as melhores capacidades que possuem, lutam pelo seu desenvolvimento e de terceiros, com e nas condições que possuem, usando os seus recursos. Como exemplo podemos citar todo o cooperativismo a Rochdeliano.

 

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